Certas coisas

A impressão é que nunca vai acabar. Aquela ideia que a gente tem que o ano passou rápido depende muito da perspectiva que temos, do ponto de onde estamos, de onde estamos “olhando”.

Tem muito tempo que tá assim… Cronologicamente falando, vai fazer seis meses daqui a uma semana. Sentimentalmente falando, são anos…

Não dá pra explicar o que é ver, sentir, estar ao lado, estar perto em horas boas e horas ruins.

Hoje, meu coração tá menor que um grão de mostarda. Tá fraco e cheio de lágrimas, sem cor e com os braços estendidos, tentando resgatar qualquer fio de esperança pra seguir em frente.

Há momentos em que não dá pra explicar a contradição. O estar vivo, às vezes, não basta. Somos egoístas e queremos sempre mais. Queremos que tudo esteja perfeito, que a vida não perca, nem por um segundo, a calmaria da rotina.

A minha fé é muito pequena pra entender alguns propósitos. Tem coisa que acho que preferiria tirar um dedo da mão do que ter que passar. Acho que poderia ser menos doloroso. Sei lá também…

A única coisa que sei é que, mais uma vez, repito: quero que o tempo passe logo. Quero saltar uns dois anos da vida. Já cansei. Já esgotei… E só escrevo pra não explodir…

Sobre família, aprendizado e jornalismo…

Das lutas que temos na vida, as mais difíceis de administrar são as lutas internas, entre você e os seus próprios sentimentos, vontades, expectativas…

Há, exatamente, sete anos, eu chegava até a Mosaico Gestão em Comunicação, levando debaixo do braço a vontade de aprender e a expectativa de exercer a minha profissão.

Ser jornalista nunca foi um sonho, uma paixão, daquelas de brincar de faz de conta quando era criança. Pelo contrário. Da minha infância, o que lembro são incontáveis vestidos de noiva desenhados e brincadeiras de casinha e de professora – onde eu ensinava Português para as minhas bonecas.

Decidi pelo Jornalismo no momento em que tive que optar por algum curso ao preencher o formulário do Vest Ufes, em 2002. Nos primeiros períodos, tinha certeza de que a minha área era Publicidade e que eu faria a complementação das disciplinas após a conclusão do curso de Jornalismo.

Foi quando apareceram na minha vida pessoas muito apaixonadas pelo que fazem, pelas suas profissões – se não eram, aparentavam. E elas me contagiaram.

Alguns professores me mostraram como é gostoso saber escrever um bom texto – não que eu saiba, mas, aprendi a ter “tesão” pela escrita e isso se traduz em amar o que faço.

E tenho orgulho de ter escrito muitas notícias boas nesses sete anos de Mosaico. Trabalhar em assessoria de imprensa tem disso. A gente compra as ideias dos clientes, briga por eles.

A Gráfica GSA é a melhor e maior do Estado e, na minha cabeça, nada muda isso! O Itamaraty é o espaço que tem os melhores anfitriões de Vitória! As peças da Missbella são lindas e vão ganhar o mundo! A Lopes é (é MESMO) a maior empresa de intermediação imobiliária do País. O projeto Revelando os Brasis é tão lindo… É daqueles que dão trabalho, mas, compensa cada segundo. O GVBus… Ah, o GVBus! Foi um dos maiores desafios nesses sete anos e, quando ouço qualquer coisa desagradável ao Sistema Transcol, defendo com unhas e dentes, é como se falassem da minha família. E família é coisa tão, tão importante, que não dá pra deixar de lado…

Por isso, pela família, nesta semana, eu deixo a Mosaico Gestão em Comunicação.

Como disse, as lutas internas são difíceis, mas, há escolhas que não optamos por fazer ou não. Pode não parecer, mas, elas chegam já decididas nas nossas vidas. E, nos últimos meses, mesmo que eu quisesse escolher algo, o destino já havia providenciado o traço do meu caminho e, mesmo que eu tivesse, eu não podia escolher outras opções.

A partir de agora, estarei em casa, cuidando da minha mãe e cuidando de mim. E o Jornalismo estará comigo! Esteve nessas linhas e estará em cada job que chegar até mim.

Tantas coisas mudaram nos últimos meses que não dá nem pra saber se realmente está certo ou errado os passos que dei. Mas, quando o coração fala mais alto, não tem jeito, não tem escolha, não tem segunda opção.

Espero estar ainda em contato com o mercado de uma forma ou de outra. Vou trabalhar em casa na medida do possível, enquanto puder, quanto tiver oportunidade (colegas, para freelas, lembrem-se de mim!!!), enquanto existir paixão pelo Jornalismo.

Agradeço aos amigos que tornaram-se parceiros ou clientes, agradeço aos clientes que tornaram-se parceiros ou amigos. Tudo valeu a pena!

Carol e Ana Paula, obrigada por me ensinarem tanto e por me darem a oportunidade de estar há sete anos convivendo com vocês.

Vou sentir falta de estar com a equipe Mosaico, mas, é hora de me despedir.

Melhor: é hora de dar um “até breve”!

E a vida segue…

Há 37 dias, um furacão passou pela minha vida… Ele chegou levando a minha base, a minha sustentação, a minha referência, o meu apoio, a minha melhor companhia, a minha inspiração… Se eu disser que um dia já imaginei passar pelo que estou passando, estaria mentindo…

No dia 20 de outubro de 2007 eu tomei uma atitude muito séria em minha vida. Decidi sair de casa e procurar o meu canto. Fui morar com dois primos e buscar a minha independência. Era sábado e a minha mãe, até eu começar a arrumar a minha mudança, não queria acreditar no que estava acontecendo. Quando o caminhão do frete parou em frente da nossa casa, ela entrou para o banheiro e dali não saiu até que eu fosse embora. Foi tão difícil pra mim que ela não tem ideia… Ela não quis se despedir e eu tive que colocar embaixo da porta uma carta que passei a madrugada escrevendo, aos prantos. Nesta carta eu agradecia tudo que ela já tinha feito por mim, tudo que tinha me ensinado, todo o amor e dedicação e eu prometia não decepcioná-la, mas que, com pesar, via que era o momento de ir.

Mudei-me pra um bairro que fica uns 30 minutos do bairro dela. Não estava tão longe assim. Mas, demorou pra ela parar de chorar… Nas reuniões de família o “assunto” sempre vinha à tona e ela sempre chorava, dizendo que até o meu espaço para pendurar a calcinha que estava vazio no banheiro fazia ela sofrer.

Eu sabia que ela sofria, mas, sabia também que não dava pra voltar. Eu também sabia que só o tempo faria as coisas se acertarem. E as coisas se acertaram. Ou, pelo menos, se acertaram pra mim e ela parou de chorar.

Viver na minha casinha, ter a minha vida independente, cuidar eu mesma das minhas coisas, não ter que dar satisfação a ninguém, tudo isso me dava prazer.

Em março do ano passado, comprei meu primeiro carro junto com ela. Aliás, ela foi a apoiadora da louca ideia, já que eu tinha saído de casa pra comprar uma sapateira e comprei um carro!

Em março deste ano, comecei minha pós-graduação, também com o apoio dela. Ela me ligava só pela manhã, porque dizia que sabia que eu estava estudando à noite e não queria atrapalhar. Aliás, eu quase não ligava pra ela, era ela que me ligava…

Não dá pra saber muito bem o porque do que aconteceu, mas, neste 11 de março a minha mãe teve um AVC e, na minha vida, tudo mudou.

Tive que abrir mão da minha casa e voltei a morar com ela e tive que desistir da pós também. Não desisti do meu namorado (nem ele desistiu de mim!), mas, há quase 40 dias não nos encontramos como namorados, mas, ele como visita para a minha mãe uma vez por semana.

No trabalho, tive muito mais apoio do que poderia conceber, mas, tive que me ausentar muito… E tive que antecipar as férias, que seriam tiradas junto com ela. Nós iríamos pra Buenos Aires juntas e sozinhas e seria incrível pra ela, que nunca andou de avião e nunca, sequer, saiu do Sudeste!

Enfim, muitos planos e sonhos tiveram que ser adiados, mas, o que quero falar aqui é do quanto vale a pena abrir mão de qualquer coisa pra vê-la bem!

Não vou ser hipócrita de dizer que tudo que fiz foi com extremos prazer e satisfação… Não foi. Doeu muito sair da pós, ta doendo muito deixar de fazer os programinhas gostosos ao lado do meu Lindo e doeu muito ter que abrir mão do meu primeiro sonho realizado na vida, que foi ter a minha casa.

Mas, vê-la acordada, interagindo, mesmo que sem falar e sem conseguir se movimentar sozinha, me faz ter motivação e força pra seguir em frente. Nesta terça-feira, tenho que voltar a trabalhar e estou com um nó na garganta por isso, já que eu tenho ficado o tempo todo com ela. Passar o dia e a noite cuidando dela não é fácil. Cansa demais… Mas, ficar tantas horas longe dela vai ser difícil, já que, é durante o dia que ela mostra a sua evolução…

Mas, a vida segue e eu preciso retomar algumas coisas!

Diante de tudo isso, vale dizer que eu não me arrependo de nada do que fiz na vida, nem ter saído de casa… A vida seguiu como deveria… E agora, chegou a hora de voltar por ela! E será bom estar com ela! Está sendo bom. Cansativo, mas, bom! Aliás, pra escrever aqui estou levando tempo recorde, já que digito duas linhas e vou ali, conferir se ela fez xixi, ver porque ela mexeu na cama, perguntar se está com sede…

Ela está reaprendendo a viver e está me ensinando muitas coisas (como se não bastasse tudo que ela já fez por mim na vida).

Hoje, ela me ensina o valor de caminhar com minhas próprias pernas, o valor de falar, o valor de fazer coisas simples sozinha, como comer ou escovar os dentes… Não que a gente não possa reclamar de nada, só porque somos perfeitos. Isso não existe. Mas, estou vivendo um momento especial, em que pequenas coisas são motivo de muita comemoração e hoje dou valor a muitas coisas que não dava!

A vitória de hoje foi ela beber leite no copo sozinha, porque, até então, estávamos dando na seringa, de dois em dois ml. Hoje também consegui transferi-la de um sofá para o outro sem a cadeira de rodas, segurando-a para que ela desse os pulinhos com a perna esquerda e vencesse esse grande desafio de um metro e meio!

Hoje, acho ela mais linda do que nunca… Olho pra ela e percebo a minha mãe de outra forma… Ela é tão, mas tão especial que o meu amor por ela renova as minhas forças…

E, hoje, a música tema do Certas Coisas é uma que ela gosta muito, mas, que eu gostaria de contestar.

Minha mãe AMA o cantor Fábio Júnior desde quando eu me entendo por gente e um de seus maiores sucessos diz “Nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos. Quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos”.

Nobre Fábio Júnior, acho que sua mãe deve ter tido a saúde perfeita enquanto você gozava dos seus 20 e poucos anos… Se eu achava que eu amava a minha mãe, hoje tenho provas que este amor é extremamente maior do que eu supunha. Ele é maior que tudo, maior que eu… E, se tiver que cantar esta música, acho que preferiria “Eu sou capaz de ir e vou muito mais além do que você imagina”.

E a vida segue…

O tempo não para…

Desde o fim de 2011 tenho pensado muito sobre o assunto “tempo”. Deixo de fazer tantas coisas legais, deixo de falar tantas palavras doces, deixo de ajudar tanta gente, tudo por falta de tempo ou por conta das prioridades que tenho que dar a ele.

O “tempo” é bíblico:

“Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de colher; (…) Tempo de chorar, e tempo de rir; (…) tempo de abraçar, e tempo de se afastar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora; (…) tempo de silêncio, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e há tempo para a paz”.

Daí, muitas vezes paro e penso em como eu preciso de mais tempo… Não dou a atenção que a minha mãe merece, nem a minha irmã, meu irmão, sobrinhos e PAIdrasto. Não visito com a freqüência que gostaria as minhas avós, meus tios, primos. Não acompanho o crescimento da minha afilhada. Não consigo tirar um tempo pra dar a atenção que uma grande amiga que mora longe precisa. Não acompanho mais o dia a dia das minhas amigas de Minas. Algumas já têm filhos e eu, sequer, os conheço. Não estou com minhas leituras em dia, não consigo, sequer, escrever no blog…

Assumo a minha imensa parcela de culpa. Eu é que mando no meu tempo, guardadas as devidas proporções… Mas, vejo a vida passando tão depressa, que não sei bem como fazer diferente, como dar conta de tudo, como repartir o valioso tempo com tanta coisa que eu queria…

Da mesma forma, vejo gente “gastando” o seu tempo com um objetivo de vida tão incompensável. Dá vontade pegar pelos braços, sacudir e dizer “Ei, acorda. A vida é essa aqui”. Mas, quem sou eu pra querer colocar a minha colher no tempo dos outros…

Hoje, me sinto em débito com tudo… E, como dizem Lulu Santos e Cazuza “Não há tempo que volte, amor” e “O tempo não para”.

Hoje, a minha vontade é dar um pause… Tô cansada… Mesmo! E como eu não sou ator, se eu sinto dor, tenho que chorar!

Mas, esta vida louca é breve e já que eu não posso levá-la, quero que ela me LEVE!

Leveza é a palavra… Não dá mais pra perder tempo com o que não traz paz!

Hoje eu acordei “meio assim”…

Existem dias que a gente acorda “meio assim”… O motivo? Qual é o motivo mesmo?!… Não tem… A semana foi agraciada com uma boa notícia, a vida está boa, as pessoas continuam sendo especiais, o mercado de trabalho te acolhe, as contas estão em dia, a saúde também…

 Mas, no reflexo do espelho, existe uma inquietação, uma agonia, uma estranheza… Diria que até uma certa tristeza…

 Quando a gente está “meio assim”, com o passar do dia, as coisas que poderiam fazer diferença passam despercebidas pelos olhos, sem cor. E, quanto mais a interrogação mental cresce, pior fica o estado “meio assim” do dia.

 Nessas horas, a gente acaba fazendo uma autoavaliação, pensando e pesando o que está valendo a pena. E, assim como o grande filósofo “Raul”, eu também prefiro ser uma metamorfose ambulante. A velha opinião formada pode perpetuar por muito tempo, mas, no momento certo, ela cede lugar a horizontes mais amplos. E tem dias que acordar “meio assim” ajuda a encarar a vida com mais maturidade e se impor mudanças.

 Até porque, qualquer dúvida na vida é sadia. Questionar faz crescer a criticidade e esta costuma não sobrar. Na sequência, Raulzito também diz que é chato chegar a um objetivo num instante. E, de fato, o tempo é o nosso maior aliado. Estar “meio assim” é ruim, porque aperta o peito, mas, com o passar do tempo, tudo se encaixa, tudo se resolve e o monstro que habitava os pensamentos, em um instante, transforma-se em renovação.

E não há nada mais gostoso do que a vida. A possibilidade de errar e acertar é instigante, já que sempre dá pra tentar outra vez e outra vez e outra vez e outra vez… Isso porque, depois do tal dia sem cor, tem um céu azul espetacular esperando lá fora!

 

*Texto escrito ao som de várias de Raul Seixas, em especial, Metamorfose Ambulante

Tem certas coisas que não precisam (ou devem) ser ditas…

Não. Os textos deste modesto espacinho não vão se restringir às certas coisas que são ou não são ditas, que eu sei ou não sei dizer, que precisam ou não, enfim. Mas, escrever sobre este assunto é algo que já estava latejando em meu peito e fervilhando a minha cabeça de ideias. Não é nada demais, só é algo que gostaria de registrar aqui e que é paradoxal ao texto inaugural do Certas Coisas.

Bom, tenho absoluta certeza de que a minha mãe me ama como – ou mais que – a si mesma. Ela também tem a certeza do contrário. Minha mãe é a pessoa por quem eu daria a minha vida. É o meu norte e é uma mulher de muito valor. É a minha MELHOR amiga e a pessoa que sei que acima de tudo, quer o meu bem.

Minha mãe é uma pessoa de coração bom, que cuida de mim (e de mais um monte de gente) como se estivesse cuidando de si própria. Muitas vezes, cuida menos de si para cuidar dos outros. Não tenho dúvida em afirmar que Deus foi muito misericordioso em me dar como mãe esta pessoa. E, sou franca em afirmar que não preciso que ela fale uma palavra sequer para eu saber o que ela está pensando.

Quando tiver um filho, talvez possa entender que amor e devoção são esses que faz das mães mais especiais. Talvez também, quando for mãe, posso tentar conseguir sentir algo maior do que o que sinto hoje por ela, porque, se há algo que é maior que o universo para mim é o amor que tenho pela minha “Florzinha”.

Apesar de tudo isso, nunca disse pra ela o quanto eu a amo, assim como ela também nunca me disse. Existem coisas que nem mesmo as palavras são capazes de traduzir e, tentar transcrever sentimentos é correr o risco de, no mínimo, menosprezá-los e reduzi-los a um alfabeto ordenado em expressões.

Ela sabe que eu a amo e eu sei que ela me ama e isso é sentido, não dá pra medir ou descrever.

Na mesma moeda, há certas coisas que vão além do quesito “não precisam ser ditas”. O verbo que quero exaltar aqui é outro: elas não devem ser ditas. Como é bom dividir o tempo, as conversas e as palavras com pessoas que são capazes de se despir de seus valores, crenças, ideias, simplesmente para nos ouvir e nos entender.

Em alguns momentos, não é necessário aconselhar. É possível chamar de amigo uma pessoa que se isenta de opinião a seu respeito quando uma situação te aflige. Saber ouvir e, principalmente, saber compreender é uma arte e esta é para poucos.

Muitas vezes, o ato falho de falar o que vem à cabeça é tão infeliz. Faz tão mal. Machuca e ofende. E muitas vezes perdemos a valorosa chance de nos permanecermos calados e guardarmos para nós mesmos a opinião que não acrescenta nada em determinadas situações.

Reflexão, demonstrações de carinho, senso crítico, compreensão, discrição e mais um monte de coisas nunca sobram. O que nos resta é saber decifrar as situações em que cada um deve falar mais alto!

Tem certas coisas que eu não sei dizer, mas digo!

Sempre procurei um motivo para um blog. E, na verdade, encontrei vários, mas todos estavam vinculados a momentos que eu sabia que não eram para sempre. Uma perda, uma notícia boa para compartilhar, um episódio curioso… Enfim, vontade nunca faltou, mas, vontade é uma coisa que se resolve rapidinho: é só ficar quietinho que passa!

Mas, se esta vontade se repete a cada momento bom, ruim ou atípico, ou se ela vem, independente de qualquer coisa, é sinal que vale a pena ter um espaço para registrar cada um deles.

certas coisas que não dá pra guardar só pra gente. Elas pedem mais… Pedem um espaço pra se materializar e se tornar visíveis – muitas vezes, visíveis só pra nós mesmos.

Escrever é uma paixão, o que justifica a minha escolha profissional. Mas, pra mim, nem sempre basta apenas escrever como jornalista e assessora de imprensa. Tem dias que quero escrever sobre as minhas percepções, os meus manifestos, os meus desejos, as minhas alegrias, as minhas experiências… Mesmo assim, nesses casos, eu tenho me expressado silenciosamente, mantendo o anonimato, só pra mim.

Em contrapartida, se nós somos medo e desejo e feitos de silêncio e som, embalada pela música “Certas coisas”, em um momento rodeado de pessoas e, ao mesmo tempo, de completa solidão, eu parei e pensei racionalmente na situação mais ruim que vivi até hoje. Era um fato que não cabia no peito, que precisava ganhar extremidades além dos meus pensamentos, mas que se restringiu ao que eu fiz: escrever e depois do “desabafo”, jogar fora.

Se tudo o que cala, fala mais alto ao coração, a perda do meu pai me mostrou o quanto tem certas coisas que eu não sei dizer, mas digo.

Cheguei a escrever sobre esta, que foi a sensação mais estranha que já tive, mas, apaguei tudo. E nunca mais conseguiria colocar novamente no papel, com tanta sensibilidade, o que se passou na minha cabeça e no meu coração nos últimos dias. Às vezes, um texto só fica bom no calor dos acontecimentos e, isso, não dá pra resgatar.

O Certas coisas não começa de forma triste. Ele começa com o sentimento mais puro e nostálgico de saudade e com uma pontinha de arrependimento por todas as palavras que se perderam a cada “delete” que a falta de iniciativa de começá-lo deixou acontecer.

De uma coisa é certa: tudo acontece quando tem que acontecer e, se nada do que eu pensei, passei, vivenciei e observei até hoje se tornou público, isso também teve uma razão de ser!

*Texto escrito ao som de “Certas coisas”, versão Lulu Santos.

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